A Cirurgia Micrográfica de Mohs é realizada com anestesia local. O paciente permanece acordado, consciente e confortável durante todo o procedimento. Não há necessidade de sedação, anestesia geral ou internação hospitalar na grande maioria dos casos. Esse aspecto do procedimento é um dos mais importantes para entender como a cirurgia funciona e o que o paciente pode esperar no dia do tratamento.

Para muitos pacientes, especialmente os mais idosos ou com condições clínicas que aumentam o risco anestésico, a possibilidade de um procedimento cirúrgico completo com anestesia local é uma vantagem determinante. Não há período de inconsciência, não há os riscos associados à intubação e não há recuperação prolongada de anestesia geral.

Por que a Cirurgia de Mohs usa anestesia local

A natureza da Cirurgia de Mohs torna a anestesia local a escolha técnica ideal. O procedimento avança em etapas: o cirurgião resseca o tumor, analisa as margens ao microscópio e, se necessário, retorna ao campo operatório para remover apenas a área com tumor residual. Esse ciclo se repete até que todas as margens estejam livres.

Entre cada etapa de ressecção e a análise histológica, o paciente aguarda o resultado. Esse tempo, geralmente de 45 minutos a 1 hora por etapa, seria inadequado sob sedação ou anestesia geral, que precisariam ser mantidas durante todo o intervalo. Com anestesia local, o paciente está confortável na maca ou poltrona durante a espera, pode conversar, ler ou descansar sem inconvenientes.

A anestesia local também permite que o paciente comunique qualquer desconforto durante o procedimento, o que facilita o ajuste imediato pelo cirurgião. A consciência do paciente é um recurso, não uma limitação.

Como é aplicada a anestesia local na Cirurgia de Mohs

A anestesia local é aplicada por infiltração na área ao redor da lesão. O anestésico mais utilizado é a lidocaína, frequentemente associada a epinefrina (adrenalina), que prolonga o efeito anestésico e reduz o sangramento no campo operatório.

A aplicação da anestesia é feita com agulha fina. O paciente sente um leve ardor durante os primeiros segundos da infiltração, que desaparece à medida que o anestésico age. Em poucos minutos, a área está completamente anestesiada e o procedimento pode começar.

A sensação de pressão durante as manobras cirúrgicas é esperada e normal. O paciente percebe que o cirurgião está trabalhando na área, mas não sente dor. Qualquer sensação desconfortável deve ser comunicada imediatamente para que o anestésico seja complementado.

Em regiões onde a pele é mais espessa ou em cirurgias de múltiplas etapas, a anestesia pode ser reaplicada entre os ciclos de ressecção se necessário. O cirurgião avalia a necessidade de reforço conforme o andamento do procedimento.

Quanto tempo dura a Cirurgia de Mohs

A duração da Cirurgia Micrográfica de Mohs é variável e não pode ser predeterminada com precisão. O número de etapas de ressecção depende da extensão real do tumor, que só é conhecida durante a análise histológica intraoperatória.

Cada etapa tem estrutura previsível: a ressecção leva de 15 a 30 minutos, e a análise histológica de 45 minutos a 1 hora. A reconstrução final, após a confirmação de margens livres, acrescenta mais 30 minutos a 2 horas dependendo da complexidade.

Para a maioria dos CBCs, o procedimento completo leva de 3 a 6 horas desde a chegada ao hospital até a alta. CBCs nodulares em localização de baixo risco frequentemente requerem apenas uma etapa de ressecção, com duração total mais curta. CBCs esclerodermiformes ou em localizações de extensão subclínica maior podem exigir 3 ou mais etapas.

O paciente deve reservar o dia inteiro para a cirurgia. Não é possível prever com exatidão quando o procedimento terminará. O Hospital Santa Tereza organiza o cronograma para que o paciente não fique sem orientação durante os intervalos entre etapas.

O que o paciente faz durante a cirurgia

A espera entre as etapas de ressecção é uma parte característica da Cirurgia de Mohs. O paciente aguarda em área confortável enquanto o espécime é processado e analisado. Esse tempo pode ser de 1 a 2 horas no total, dependendo do número de etapas.

Durante a espera, o paciente pode estar acompanhado de uma pessoa de confiança. Levar material de leitura, fones de ouvido ou algo para ocupar o tempo é recomendável. Refeições leves são permitidas durante os intervalos, já que não há anestesia geral.

A orientação para o dia da cirurgia inclui não fazer esforço físico intenso, usar roupa confortável com fácil acesso à área operada e ter um acompanhante para o transporte de retorno. Dirigir no dia da cirurgia não é recomendado.

A reconstrução no mesmo ato operatório

Após a confirmação histológica de margens livres, o cirurgião realiza a reconstrução do defeito no mesmo ato operatório. Essa é uma das vantagens técnicas da Cirurgia de Mohs: não há segunda cirurgia para a reconstrução. Tudo é resolvido no mesmo dia, pelo mesmo especialista.

A técnica de reconstrução depende do tamanho e da localização do defeito. Defeitos pequenos são fechados por sutura primária (borda a borda). Defeitos maiores podem exigir retalho local, onde a pele adjacente é mobilizada para cobrir a área, ou enxerto de pele de outra região do corpo.

O cirurgião escolhe a reconstrução com objetivo de maximizar o resultado estético e preservar a função. Em regiões como a pálpebra, o nariz e o lábio, isso envolve técnicas especializadas que consideram a dinâmica da expressão facial, a mobilidade das estruturas e a irrigação sanguínea local.

Cuidados pós-operatórios e recuperação

O paciente recebe alta no mesmo dia da cirurgia com as instruções de cuidado pós-operatório. A recuperação varia com a extensão do procedimento e o tipo de reconstrução realizada.

Nos primeiros dias, a área operada pode apresentar edema, equimose e discreta sensação de tensão. Esses sinais são esperados e fazem parte do processo de cicatrização. Dor intensa no pós-operatório imediato não é o padrão: o nível de desconforto é geralmente controlável com analgésicos simples.

Os cuidados com a ferida incluem curativo diário ou a cada dois dias conforme orientação do cirurgião, restrição de molhar a área até a cicatrização inicial e evitar exposição solar direta na área operada por 6 meses após a cirurgia. O uso de filtro solar de alta proteção é obrigatório após a cicatrização.

A retirada dos pontos ocorre em 7 a 14 dias, dependendo da localização e do tipo de sutura. Para pacientes de outras cidades, a remoção dos pontos pode ser feita com dermatologista local seguindo as orientações do Dr. Timótio.

O resultado estético final da cicatriz é avaliado após 6 a 12 meses da cirurgia, período em que o processo de remodelamento do colágeno está completo. A cicatriz matura gradualmente, tornando-se menos visível com o tempo.

Quem pode fazer a Cirurgia de Mohs com anestesia local

A grande maioria dos pacientes tolera bem a Cirurgia de Mohs com anestesia local, incluindo idosos acima de 80 anos, pacientes com doenças cardiovasculares controladas e pacientes em uso de anticoagulantes (com manejo pré-operatório adequado).

Condições que podem exigir adaptação do protocolo anestésico incluem alergia a anestésicos do grupo amida (lidocaína), insuficiência cardíaca grave e arritmias com resposta aumentada à adrenalina. Nesses casos, a avaliação pré-operatória com o clínico ou cardiologista é necessária para ajustar o protocolo.

Crianças ou pacientes com grande ansiedade ou impossibilidade de cooperação durante o procedimento podem ser candidatos a sedação leve associada à anestesia local, avaliada caso a caso pelo especialista.

Por que a anestesia local é especialmente vantajosa para pacientes idosos

O carcinoma basocelular é mais frequente a partir dos 50 anos, e muitos pacientes que chegam para a Cirurgia de Mohs têm 65, 70 ou 80 anos. Para esse grupo, a anestesia local é uma vantagem clínica significativa que vai além da conveniência.

A anestesia geral em pacientes idosos carrega riscos anestésicos aumentados: comprometimento cognitivo pós-operatório transitório (delirium pós-anestésico), instabilidade hemodinâmica, risco de complicações pulmonares e recuperação mais lenta. Para cirurgias de pele de duração previsível, esses riscos não se justificam clinicamente quando a anestesia local é suficiente para garantir o conforto do paciente.

Com a anestesia local, o paciente idoso permanece consciente, pode comunicar qualquer sintoma durante o procedimento (dor, tontura, palpitação), não depende de suporte ventilatório e tem alta no mesmo dia sem período prolongado de recuperação anestésica. Para pacientes com insuficiência cardíaca compensada, DPOC leve a moderada ou história de complicações anestésicas prévias, a anestesia local é frequentemente a única opção segura para cirurgias eletivas.

O manejo de anticoagulantes em pacientes idosos com fibrilação atrial, próteses valvares ou história de tromboembolismo é planejado antes da Cirurgia de Mohs em conjunto com o cardiologista ou clínico responsável. A maioria dos anticoagulantes pode ser manejada com interrupção breve (de 24 a 48 horas) sem risco clínico significativo para a cirurgia de pele, evitando a necessidade de hospitalização para a transição para heparina.

Para pacientes idosos, a possibilidade de realizar a cirurgia completa, incluindo a reconstrução, com anestesia local em um único dia, sem internação e sem recuperação prolongada, representa um ganho real de qualidade de vida no processo de tratamento.

Avaliação com especialista em Cirurgia de Mohs em Santa Catarina

O Dr. Timótio Dorn (CRM/SC 22594 | RQE 13225) é dermatologista com certificação em Cirurgia Micrográfica de Mohs pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), entidades de referência na formação e qualificação médica nessa técnica no Brasil. Atua em Santa Catarina com Cirurgia Micrográfica de Mohs desde 2018, com experiência acumulada em mais de 2.000 procedimentos realizados ou supervisionados, além de participar da formação de médicos na área de cirurgia dermatológica e oncologia cutânea.

O atendimento inclui teleconsulta pré-operatória para pacientes de outras cidades e estados. O planejamento completo, incluindo o protocolo anestésico, é definido antes do deslocamento.

Agende sua avaliação em drtimotiodorn.com.br.

Perguntas frequentes sobre anestesia e procedimento na Cirurgia de Mohs

A Cirurgia de Mohs dói?

O procedimento é realizado sob anestesia local completa. A única sensação dolorosa é o leve ardor dos primeiros segundos da infiltração do anestésico. Uma vez anestesiada a área, o paciente sente pressão e manipulação, mas não dor. Qualquer desconforto deve ser comunicado ao cirurgião para reforço imediato do anestésico.

Preciso ficar em jejum para a Cirurgia de Mohs?

Como o procedimento usa anestesia local, o jejum prolongado não é exigido na maioria dos casos. O cirurgião orienta sobre alimentação leve no dia anterior e refeição leve antes do procedimento. Verifique as orientações específicas do Dr. Timótio para o seu caso.

Posso tomar meus remédios normalmente no dia da cirurgia?

Alguns medicamentos, como anticoagulantes e anti-inflamatórios, precisam ser ajustados antes da cirurgia. O protocolo é definido na consulta pré-operatória. Não suspenda nenhum medicamento por conta própria sem orientação médica.

Há risco de reação alérgica à anestesia?

A alergia à lidocaína e aos anestésicos do grupo amida é rara. Se você tem histórico de reação a anestésicos locais, informe o cirurgião na consulta pré-operatória para que alternativas sejam avaliadas.

Quando posso voltar ao trabalho após a Cirurgia de Mohs?

Para trabalhos sedentários, o retorno em 2 a 3 dias após a cirurgia é habitual. Atividades físicas intensas e trabalho braçal pesado devem aguardar de 2 a 4 semanas, dependendo da localização e da extensão da reconstrução.

O Dr. Timótio Dorn é médico dermatologista (CRM/SC 22594). Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica.