O diagnóstico de carcinoma basocelular confirmado em biópsia é o ponto de partida para a avaliação cirúrgica. Para CBCs com critérios de alto risco, o próximo passo é a consulta com cirurgião especializado em Cirurgia Micrográfica de Mohs. Essa avaliação é o momento em que o laudo histopatológico se transforma em um plano cirúrgico concreto: qual técnica será usada, qual a extensão esperada do procedimento, como será feita a reconstrução e o que o paciente pode esperar do resultado.
Muitos pacientes chegam a essa consulta sem saber o que perguntar ou sem entender por que a Cirurgia de Mohs é diferente das outras opções. A avaliação pré-operatória é o espaço para esclarecer todas essas questões antes da cirurgia.
Quem precisa de avaliação para Cirurgia de Mohs
A avaliação com especialista em Cirurgia Micrográfica de Mohs é indicada para pacientes que têm no laudo histopatológico diagnóstico de carcinoma basocelular com qualquer um dos seguintes critérios:
- localização na zona H da face: nariz, pálpebras, orelhas, lábios, têmporas e região periorbital;
- subtipo histológico agressivo: esclerodermiforme, infiltrativo, micronodular ou basoescamoso;
- tumor recidivado após tratamento anterior, independentemente do subtipo;
- margens comprometidas em cirurgia prévia;
- invasão perineural identificada no laudo;
- tamanho superior a 10 milímetros na zona H ou a 20 milímetros em área de risco intermediário;
- imunossupressão por doença ou medicamento.
A presença de qualquer um desses critérios é suficiente para indicar avaliação por especialista certificado antes de qualquer decisão cirúrgica. A certificação conjunta pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) é o único critério reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina para habilitar um médico a realizar a Cirurgia de Mohs no Brasil.
O que acontece na consulta pré-operatória
A consulta pré-operatória é estruturada em quatro etapas principais.
A primeira etapa é a revisão do laudo histopatológico. O cirurgião analisa o subtipo, o padrão de crescimento e os achados específicos que determinam o risco: invasão perineural, padrão infiltrativo, comprometimento de margens na biópsia. Esses dados definem se a indicação de Mohs está presente e qual a complexidade esperada do procedimento.
A segunda etapa é o exame clínico da lesão. O cirurgião avalia a lesão diretamente ou por imagens de alta qualidade em teleconsulta. Avalia tamanho, localização precisa, bordas palpáveis, consistência e relação com estruturas adjacentes. Essa avaliação complementa o laudo e ajuda a estimar a extensão esperada da cirurgia.
A terceira etapa é a explicação do procedimento ao paciente. O cirurgião descreve como a Cirurgia de Mohs é realizada, quantas etapas são esperadas, qual será a anestesia, onde a reconstrução será feita e qual o resultado cosmético antecipado. O paciente compreende o que ocorrerá no dia da cirurgia, desde a chegada até a saída.
A quarta etapa é o planejamento logístico. Para pacientes de outras cidades, isso inclui a orientação sobre tempo de permanência em Florianópolis, os exames pré-operatórios necessários, as restrições de medicamentos nos dias anteriores e as instruções de cuidado pós-operatório.
A teleconsulta pré-operatória para pacientes de outras cidades
O Dr. Timótio Dorn oferece teleconsulta pré-operatória, o que permite que pacientes de outras cidades e estados façam a avaliação inicial à distância, antes de se deslocar a Florianópolis.
Na teleconsulta, o paciente apresenta o laudo completo da biópsia, fotografias da lesão e histórico clínico. O especialista analisa o caso, confirma a indicação de Cirurgia de Mohs, estima a complexidade do procedimento e define os exames pré-operatórios necessários. O agendamento da cirurgia pode ser feito nessa mesma consulta.
Esse formato elimina a necessidade de uma visita presencial prévia à cirurgia em muitos casos. O paciente chega a Florianópolis já com a cirurgia marcada, os exames em mãos e o plano de reconstrução definido. Isso reduz o número de deslocamentos necessários e permite um planejamento mais eficiente, especialmente para quem viaja de cidades distantes como Porto Alegre, Curitiba ou São Paulo.
O que trazer para a consulta
A avaliação pré-operatória, seja presencial ou por teleconsulta, exige documentação específica para que o planejamento cirúrgico seja completo.
O documento mais importante é o laudo histopatológico da biópsia, com descrição do subtipo, padrão de crescimento e achados específicos como invasão perineural. Sem esse laudo, não é possível confirmar a indicação de Mohs nem estimar a complexidade do procedimento.
Fotografias recentes da lesão são úteis para a teleconsulta. Imagens com boa iluminação, sem sombras, em múltiplos ângulos, permitem que o cirurgião avalie tamanho, bordas e relação com estruturas adjacentes mesmo à distância.
Laudos de cirurgias anteriores, quando houver, ajudam a compreender o histórico da lesão e identificar padrões de recidiva. A lista de medicamentos em uso é obrigatória: anticoagulantes, imiquimode, isotretinoína e outros medicamentos afetam o planejamento pré-operatório.
Documentação do plano de saúde e informações sobre cobertura são úteis para o planejamento financeiro, especialmente se o paciente pretende solicitar reembolso.
Perguntas que o paciente deve fazer na avaliação
A consulta pré-operatória é o momento de esclarecer todas as dúvidas sobre o procedimento. Perguntas que todo paciente deve fazer incluem:
A Cirurgia de Mohs é a técnica indicada para o meu caso específico? O especialista deve explicar os critérios que definem a indicação no seu caso concreto.
Quantas etapas de ressecção são esperadas? A cirurgia de Mohs pode durar de 2 a 6 horas dependendo da extensão do tumor. O número de etapas não é previsível com precisão, mas o especialista pode estimar com base no subtipo e no tamanho.
Como será feita a reconstrução? O cirurgião deve explicar se a reconstrução será direta (sutura primária), com retalho local ou com enxerto, e qual o resultado cosmético esperado.
Qual é o cronograma de recuperação? Quando os pontos serão retirados, quando o paciente pode voltar ao trabalho e quando os cuidados pós-operatórios serão encerrados.
Qual a taxa de cura esperada para o meu caso? Com a Cirurgia de Mohs, a taxa geral para tumores primários é de 99% em 5 anos, mas casos específicos de maior complexidade têm taxas ligeiramente diferentes.
Quando devo retornar para acompanhamento? O acompanhamento pós-operatório é parte do tratamento, e o paciente deve saber com que frequência e por quanto tempo.
O que esperar no dia da cirurgia
O dia da Cirurgia de Mohs começa com a chegada ao hospital ou clínica. O cirurgião delimita a lesão, aplica a anestesia local e realiza a primeira ressecção com margem de apenas 1 a 2 mm. O espécime é levado ao laboratório e processado em cortes congelados para análise microscópica pelo próprio cirurgião.
O paciente aguarda o resultado da análise, geralmente entre 45 minutos e 1 hora por etapa. Se há tumor residual em algum ponto, o cirurgião retorna ao campo operatório e remove apenas aquela área específica. O ciclo se repete até que todas as margens estejam livres.
Quando as margens são confirmadas como livres, o cirurgião realiza a reconstrução do defeito no mesmo ato operatório. O paciente recebe as instruções de cuidado pós-operatório e tem alta no mesmo dia na maioria dos casos. Internação hospitalar não é necessária para a maior parte dos procedimentos.
Acompanhamento pós-operatório: o que acontece após o dia da cirurgia
A avaliação pré-operatória é o início de uma relação de cuidado que continua depois da cirurgia. O acompanhamento pós-operatório é parte integrante do tratamento do carcinoma basocelular.
Nos primeiros 7 a 14 dias após a Cirurgia de Mohs, o paciente retorna para a retirada dos pontos. Para pacientes de outras cidades, essa consulta pode ser feita com dermatologista local seguindo as orientações fornecidas na alta. O especialista que realizou a cirurgia deve ser informado de qualquer alteração ou sinal de infecção no período.
Após a retirada dos pontos, o cuidado com a cicatriz é orientado pelo especialista. A proteção solar da área operada é obrigatória por no mínimo 6 meses. O uso de filtro solar com FPS alto e o uso de chapéu para lesões em face são medidas simples que protegem a cicatriz e reduzem o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.
A primeira revisão formal ocorre em 3 a 6 meses após a cirurgia. O especialista avalia a cicatriz, verifica sinais precoces de recidiva e define o cronograma de acompanhamento subsequente. Para tumores primários tratados com Cirurgia de Mohs, o risco de recidiva é maior nos primeiros 2 anos, período em que as consultas de revisão são mais frequentes.
O acompanhamento anual ou semestral é mantido por pelo menos 5 anos após o tratamento. Após esse período, o risco cumulativo de recidiva reduz, mas o monitoramento de novos tumores justifica a continuidade das consultas dermatológicas regulares. Pacientes com histórico de CBC têm risco de segundo tumor de 44% em 5 anos, o que torna o acompanhamento de longo prazo clinicamente relevante para toda a vida.
Avaliação com especialista em Cirurgia de Mohs em Santa Catarina
O Dr. Timótio Dorn (CRM/SC 22594 | RQE 13225) possui certificação pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para atuação em Cirurgia Micrográfica de Mohs e dedica-se intensivamente à técnica desde 2018. Realizou mais de um ano de treinamento exclusivo e intensivo em cirurgia de Mohs e, desde então, já realizou e coordenou mais de 2 mil procedimentos. Atua também na formação de novos cirurgiões de Mohs como coordenador do fellowship da área no Hospital Santa Teresa, em Florianópolis, hospital de referência em dermatologia pública em Santa Catarina.
O atendimento inclui teleconsulta pré-operatória para pacientes de outras cidades e estados. O planejamento cirúrgico é definido antes do deslocamento, otimizando todo o processo.
Agende sua avaliação em drtimotiodorn.com.br.
Perguntas frequentes sobre a avaliação para Cirurgia de Mohs
Preciso ter biópsia prévia para a consulta de avaliação?
Sim, na maioria dos casos. O laudo histopatológico da biópsia é o documento central da avaliação pré-operatória. Em alguns casos de lesões muito características, o especialista pode fazer a biópsia na própria consulta. Verifique com o consultório antes do agendamento.
Posso fazer a avaliação antes de ter o resultado da biópsia?
A teleconsulta pode ser feita antes do laudo para discutir a lesão e as suspeitas clínicas. O planejamento cirúrgico definitivo, porém, depende do subtipo histológico confirmado na biópsia.
A Cirurgia de Mohs pode ser feita no mesmo dia da consulta?
Em alguns casos de lesões bem documentadas com laudo prévio, a cirurgia pode ser agendada para o mesmo dia da avaliação presencial. Para teleconsultas, a cirurgia é agendada para uma data posterior ao retorno presencial com os exames pré-operatórios.
Quanto tempo antes da cirurgia devo fazer a avaliação?
Idealmente, a avaliação deve ser feita 2 a 4 semanas antes da cirurgia, tempo suficiente para concluir os exames pré-operatórios e definir o planejamento completo. Em casos de urgência oncológica, como melanoma ou CBC de crescimento rápido, o prazo é reduzido.
O especialista pode recusar a indicação de Mohs?
Sim. Se o caso não tem critérios de alto risco, o especialista pode concluir que a excisão convencional é a técnica adequada. A decisão é baseada em critérios clínicos, não em preferência do paciente. A indicação correta da técnica é parte da responsabilidade do especialista.
O Dr. Timótio Dorn é médico dermatologista (CRM/SC 22594). Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica.