Verruga na unha: o que é, por que aparece e como tratar?
Pé com lesões hiperqueratóticas e irregulares ao redor das unhas dos dedos, mostrando espessamento da pele e aspecto verrucoso nas áreas periungueais. Imagem de arquivo pessoal do autor.

Verruga na unha: não é só estética, é saúde

Aquela “bolinha” áspera que cresce ao lado ou embaixo da unha, machuca, prende na roupa e incomoda na hora de escrever ou mexer no celular… muita gente acha que é apenas um calo ou “carne esponjosa”, mas na verdade pode ser uma verruga do aparelho ungueal (periungueal ou subungueal).

Apesar de ser uma lesão benigna, ela pode causar dor, deformar a unha e, em alguns casos, até comprometer o osso da ponta do dedo. Por isso, merece atenção.

O que é verruga na unha?

As verrugas periungueais (ao redor da unha) e subungueais (embaixo da unha) são causadas por infecção pelo vírus HPV – o mesmo grupo de vírus que causa verrugas em outras partes da pele.

Esse vírus entra na pele através de microtraumas: cutucar a unha, tirar “bife”, roer unha, arrancar cutícula ou pequenos cortes facilitam a entrada do HPV.
Depois de algum tempo, a pele começa a crescer de forma exagerada, formando uma lesão:

  • áspera, com superfície irregular
  • em relevo, podendo coalescer em placas maiores
  • muitas vezes com pontinhos pretos (vasos sanguíneos trombosados)
  • que pode empurrar ou deformar a unha

Em crianças e adolescentes, é uma lesão relativamente comum. Em adultos, tende a ser mais persistente e resistente ao tratamento.

Dedo com verruga periungueal grande e irregular ao lado da unha, com superfície áspera e espessada, em tom rosado e esbranquiçado, típica de infecção por HPV na região ungueal.
Fonte: Kimball AB et al., JAAD 2025.
Verruga periungueal ao redor da unha, caracterizada por aspecto grosseiro, superfície irregular e áreas de hiperqueratose. Lesões dessa região podem causar dor, deformidade da unha e dificuldade no manejo diário, exigindo avaliação dermatológica especializada. Fonte da imagem: Kimball AB, Lebwohl M, et al. Diagnosis and management of subungual and periungual verruca: A clinical review. JAAD, 2025.

Verruga na unha pega?

Sim. É contagiosa, mas o risco varia de pessoa para pessoa.

O HPV se espalha:

  • pelo contato direto (pegar na mão, brincar, compartilhar objetos)
  • por autoinoculação: quem roe unha ou cutuca as lesões pode espalhar o vírus para outros dedos, lábios e boca.

Por isso, uma regra de ouro do tratamento é:

não cutucar, não arrancar e não tentar “fazer em casa” com objetos cortantes.

Ilustração mostrando o HPV entrando por uma fissura na pele e infectando células da camada basal da epiderme, com esquema da estrutura do vírus no canto superior esquerdo.
Fonte: Zayats R, Murooka TT, McKinnon LR. Front Cell Infect Microbiol. 2022.
Representação esquemática da entrada do HPV na pele através de microfissuras, alcançando as camadas basais da epiderme, onde o vírus infecta queratinócitos jovens e inicia a formação das verrugas. Imagem adaptada de: Zayats R, Murooka TT, McKinnon LR. HPV and the Risk of HIV Acquisition in Women. Front Cell Infect Microbiol. 2022;12:814948. doi:10.3389/fcimb.2022.814948.

Fatores que aumentam o risco

Alguns hábitos e condições favorecem o aparecimento e a persistência da verruga na unha:

  • Roer unha (onicofagia) e ficar “mexendo” nos cantos da unha
  • Manicure muito agressiva, tirando cutícula em excesso
  • Exposição constante à água, detergentes, alimentos e carnes (cozinheiros, açougueiros)
  • Dermatite atópica (pele mais sensível e barreira cutânea alterada)
  • Imunossupressão (doenças crônicas, quimioterapia, uso de imunobiológicos etc.)

Quais os sintomas?

As verrugas na região das unhas podem ser:

  • Assintomáticas (apenas incômodo estético)
  • Dolorosas ao toque, principalmente quando fissuram ou ficam muito espessas
  • Fonte de constrangimento no trabalho, escola, consultas e atividades sociais
  • Motivo de dificuldade para escrever, digitar, tocar instrumentos, usar luvas etc.

Com o tempo, podem causar:

  • deformação da unha
  • sulcos e ondulações
  • descolamento parcial (onicólise)
  • em casos raros, lesão do osso da falange distal
Pé com lesões hiperqueratóticas e irregulares ao redor das unhas dos dedos, mostrando espessamento da pele e aspecto verrucoso nas áreas periungueais.
Imagem de arquivo pessoal do autor.
Lesões verrucosas hiperqueratóticas na região periungueal dos pododáctilos, com espessamento e irregularidade da pele ao redor das unhas, compatíveis com quadro clínico sugestivo de verrugas plantares/periungueais. Imagem de arquivo pessoal do autor.

É perigoso? Verruga na unha vira câncer?

Na imensa maioria dos casos, não é câncer.

Porém, o artigo mostra que verrugas muito antigas e associadas a certos tipos de HPV (como o HPV 16) podem, em situações especiais, evoluir para lesões pré-cancerígenas ou câncer de pele do tipo carcinoma espinocelular na região da unha.

Por isso, é importante:

  • não “empurrar com a barriga” por anos
  • investigar lesões que crescem rápido, ulceram, sangram com facilidade ou não respondem a tratamentos comuns
  • ter atenção redobrada em imunossuprimidos

Em muitos casos, o dermatologista pode solicitar uma biópsia da lesão para confirmar se é realmente uma verruga e afastar tumores de unha.

Como é feito o diagnóstico?

Na consulta, o dermatologista:

  1. Examinará a unha e a pele ao redor
  2. Utilizará dermatoscópio, um aparelho que amplia a imagem e ajuda a identificar os pontinhos pretos, o padrão da superfície e a interrupção das linhas da pele
  3. Em casos duvidosos, pode:
    • raspar suavemente a superfície, revelando os vasos trombosados
    • solicitar raio-X para descartar alterações ósseas
    • ou indicar biópsia para análise ao microscópio

Tratamentos: por que verruga na unha é tão chata de tratar?

A região da unha é delicada:

  • a matriz (onde a unha é produzida) pode ser danificada por tratamentos muito agressivos
  • os dedos são usados o tempo todo, o que dificulta curativos e repouso local
  • a verruga costuma ser mais resistente do que em outras partes do corpo

Por isso, o plano é sempre individualizado. Algumas opções:

1. Tratamentos tópicos (cremes/soluções)

  • Ácido salicílico e outros queratolíticos: amolecem a camada grossa de pele, permitindo redução gradual da verruga.
  • Cremes imunomoduladores como o imiquimode: estimulam o sistema imunológico local a combater o HPV.
  • Combinações com 5-fluorouracil: em casos mais resistentes, principalmente em adultos.

São muito utilizados em crianças e adolescentes, por serem menos dolorosos.

2. Crioterapia (congelamento com nitrogênio líquido)

É um método consagrado para verrugas em geral, mas nas unhas o cuidado precisa ser maior:

  • pode ser bastante doloroso
  • se aplicado muito próximo da matriz, pode causar distorção permanente da unha
  • em peles mais escuras, pode deixar manchas claras (hipopigmentação)

Hoje muitos especialistas preferem deixar a crioterapia como coadjuvante ou evitá-la na matriz.

3. Injeções intralesionais (bleomicina, vitamina D, cidofovir)

O artigo destaca a bleomicina intralesional como uma das terapias mais eficazes em adultos, com altas taxas de cura e baixa recidiva quando bem indicada e aplicada.

Outras opções incluem:

  • Vitamina D intralesional – estimulando a diferenciação das células da pele
  • Cidofovir – antiviral injetado na lesão, usado em casos recalcitrantes

São técnicas mais avançadas, que exigem experiência, mas permitem tratar verrugas teimosas sem destruir a matriz.

4. Laser, fotodinâmica e outras tecnologias

Dependendo do caso, podem ser utilizados:

  • laser CO₂ ou Er:YAG
  • laser vascular (pulsed dye, Nd:YAG)
  • terapia fotodinâmica

São alternativas, especialmente para verrugas muito resistentes, com a vantagem de preservar o máximo de tecido possível quando bem indicadas.

E nas crianças, o que muda?

Em crianças pequenas, muitas vezes adotamos a estratégia:

  • “observar e acompanhar”, quando a verruga é pequena e não causa dor
  • priorizar tratamentos tópicos e medidas comportamentais (parar de roer unha)
  • reservar métodos injetáveis ou destrutivos para casos realmente recalcitrantes

O objetivo é tratar sem traumatizar a criança e sem comprometer a unha em formação.

Quando devo procurar o dermatologista?

Procure avaliação se você notar:

  • lesão áspera ou em “couve-flor” ao redor ou embaixo da unha
  • dor, sangramento ou fissuras
  • deformação da unha associada
  • falha após tentativas caseiras ou uso de ácidos sem melhora
  • lesão que cresce rápido, escurece ou ulcera

Um exame especializado pode fazer toda a diferença entre:

  • insistir em tratamentos que não funcionam, e
  • escolher a terapia mais adequada para o seu tipo de verruga e seu organismo

Conclusão

Verruga na unha não é frescura, e muito menos “coisa de criança”.
É uma infecção viral numa área delicada, que pode comprometer função, estética e, em raros casos, evoluir com complicações mais sérias.

A boa notícia é que existem muitas opções de tratamento – de pomadas a injeções focadas e tecnologias avançadas. O segredo é escolher a estratégia certa, no momento certo, para cada paciente.

Se você percebeu algo diferente nas suas unhas ou de alguém da família, não tente “queimar em casa” ou arrancar com alicate. Procure um dermatologista para avaliação detalhada.

AVISO IMPORTANTE

Este texto é apenas informativo.
Somente um médico dermatologista pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado para o seu caso. Verrugas na unha são variadas, podem imitar outras doenças e podem ser confundidas com tumores — por isso não tente tratar sozinho.

📚 Referência científica

KIMBALL, A. B.; LEBWOHL, M.; et al. Diagnosis and management of subungual and periungual verruca: A clinical review. JAAD, 2025.

Links ùteis:

Posts relacionados