O protetor solar é um dos pilares mais importantes da prevenção do câncer de pele, do fotoenvelhecimento e de diversas doenças causadas pela radiação ultravioleta. Apesar disso, inúmeros mitos ainda atrapalham a forma como as pessoas se protegem — e muitos deles foram reforçados durante anos por informações incompletas ou equivocadas.
Neste texto, reuni os 12 mitos mais comuns explicados no excelente artigo Dispelling Myths About Sunscreen (2020). Minha intenção é esclarecer, de forma simples e baseada em evidências, como realmente funciona a fotoproteção

1. “Não há diferença entre SPF50 e SPF100”
Em teoria, a diferença é pequena.
Na prática, é enorme.
A maioria das pessoas aplica metade da quantidade recomendada.
SPF50 aplicado de forma insuficiente funciona como SPF ~26.
SPF100 funciona como SPF ~55.
Ou seja: SPFs mais altos compensam a má aplicação.
2. “Protetor solar sozinho já é suficiente”
Nenhum protetor bloqueia 100% da radiação.
Proteção completa envolve:
- Chapéu de aba larga
- Roupas UV
- Evitar sol entre 10h–16h
- Buscar sombra
- Uso correto do protetor (SPF30+ e reaplicação)
3. “Pessoas negras não precisam de protetor”
Todos os fototipos sofrem dano ao DNA após exposição solar.
A diferença é que pessoas negras costumam receber o diagnóstico tardiamente, o que piora o prognóstico.
Melanoma acral é especialmente relevante nesses casos.
Fototipo alto ≠ imunidade ao sol.
4. “Ter um bronzeado protege”
Bronzeado é resultado de lesão no DNA induzida por UV.
Não existe bronzeado saudável.
Camas de bronzeamento aumentam o risco de melanoma em 74%.
5. “Protetor solar causa deficiência de vitamina D”
Apesar de bloquear UVB, o protetor não reduz a vitamina D na vida real.
Estudos mostram que pessoas que usam protetor diariamente continuam produzindo 25(OH)D normalmente.
Vitamina D pode (e deve) ser obtida por dieta e suplementação.
6. “Make com SPF substitui o protetor”
Não substitui.
A maioria dos cosméticos possui SPF15 e aplicado em quantidade muito menor que a necessária para proteger.
7. “Ficar na sombra é suficiente”
Até 80% da radiação UV reflete no solo, paredes e superfícies.
Sombra + protetor = combinação ideal.
8. “Todos os protetores são iguais”
Existem dois tipos principais:
- Físicos (zinco/titânio) → menos irritantes
- Químicos → textura mais agradável
A escolha depende da pele e do objetivo. Ambos funcionam.
9. “Dia nublado não precisa de protetor”
Errado.
As nuvens deixam passar a maior parte da radiação ultravioleta.
Quem se protege todos os dias envelhece menos e reduz risco de câncer.
10. “Já tomei sol demais na infância, agora não adianta mais”
Mito antigo.
A ciência atual mostra que apenas 25% da exposição UV ocorre antes dos 18 anos.
Ou seja: proteger-se na vida adulta faz grande diferença.
11. “Quem trabalha dentro de casa não precisa usar protetor”
Vidros bloqueiam UVB, mas permitem passagem de UVA.
Motoristas, por exemplo, têm mais lesões do lado da janela.
Se há luz — há radiação.
12. “Protetor solar não é seguro”
Filtros físicos são comprovadamente seguros.
Filtros químicos podem ser absorvidos, mas não há evidência de dano.
A FDA não recomenda interromper o uso.
Mensagem final:
Quem deseja evitar químicos pode optar por protetores 100% minerais.
A fotoproteção é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o risco de câncer de pele, prevenir manchas, melasma, rugas e manter uma pele saudável. O uso diário, associado a medidas complementares, oferece benefícios cumulativos ao longo de toda a vida.
Se você ainda tem dúvidas sobre fotoproteção, converse comigo na consulta.
Estou aqui para ajudar você a viver com segurança sob o sol.
Referências:

