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Tipos de câncer de pele: carcinoma, melanoma e lesões pré-malignasO câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Segundo o Instituto Nacional
O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 220.000 novos casos por ano, sendo a ampla maioria classificada como câncer de pele não melanoma (CPNM).
Existem diferentes tipos de câncer de pele, cada um com características clínicas, comportamento biológico e abordagens terapêuticas distintas. Conhecer essas diferenças é fundamental para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Este guia apresenta os principais tipos de câncer de pele, os sinais de alerta e as opções de tratamento disponíveis.
O carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais frequente, representando aproximadamente 70% dos casos diagnosticados. Origina-se nas células basais da epiderme e tem crescimento lento, com baixo potencial de metástase.
Apesar de raramente evoluir para metástases, o CBC pode causar destruição significativa de tecidos adjacentes se não tratado, especialmente em regiões como nariz, pálpebras e orelhas. A detecção precoce e o tratamento adequado resultam em taxas de cura superiores a 99% na maioria dos casos.
O carcinoma basocelular apresenta diferentes subtipos clínicos e histológicos, que variam em aparência e comportamento:
O CBC nodular é o subtipo mais comum, apresentando-se como uma pápula ou nódulo perolado, frequentemente com telangiectasias (pequenos vasos visíveis) na superfície. Pode ulcerar no centro à medida que cresce.
O CBC superficial aparece como uma placa eritematosa (avermelhada), levemente descamativa, com bordas bem delimitadas. É mais comum no tronco e pode ser confundido com eczema ou psoríase.
O CBC esclerodermiforme (ou morfeiforme) é o subtipo de maior risco. Apresenta-se como uma placa endurecida, com bordas mal definidas, e tem maior tendência à recidiva e invasão local.
Santa Catarina registra a maior incidência de câncer de pele não melanoma do Brasil, com 133,22 casos por 100.000 habitantes. A população do estado, composta em grande parte por descendentes de europeus com pele clara, está mais suscetível aos danos da radiação ultravioleta.
Um estudo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia (Custódio et al., 2010, SciELO) demonstrou um aumento de mais de 80% na incidência de carcinoma basocelular em Tubarão, no sul de Santa Catarina, entre 1999 e 2008.
O carcinoma espinocelular (CEC), também chamado de carcinoma de células escamosas, é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, correspondendo a cerca de 25% dos casos de câncer de pele não melanoma.
Diferentemente do carcinoma basocelular, o CEC tem maior potencial de metástase, especialmente quando localizado em áreas de alto risco como lábios, orelhas e mucosas. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença.
O principal fator de risco para o CEC é a exposição solar crônica e acumulada. Outros fatores incluem imunossupressão, exposição a substâncias químicas (como arsênico), infecção por HPV e presença de cicatrizes crônicas ou úlceras de longa duração.
A queratose actínica é a principal lesão precursora do carcinoma espinocelular. Trata-se de uma lesão pré-maligna causada pelo dano solar acumulado, que pode evoluir para CEC em até 10% dos casos.
O CEC é classificado como de alto risco quando apresenta uma ou mais das seguintes características:
Nesses casos, a cirurgia micrográfica de Mohs é a técnica mais indicada, pois permite a análise de 100% das margens cirúrgicas em tempo real.
O melanoma é um tumor maligno originado nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Embora represente apenas cerca de 4% dos cânceres de pele, é o tipo mais agressivo e responsável pela maioria das mortes relacionadas à doença.
Segundo dados do INCA (2023), são estimados aproximadamente 8.400 novos casos de melanoma por ano no Brasil. A taxa de sobrevida em cinco anos é de 99% quando detectado em estágio inicial (estágio I), mas cai para aproximadamente 35% em casos com metástase à distância (estágio IV), conforme estudo de Garbe et al. publicado no European Journal of Cancer (PMID: 38116955).
A regra ABCDE é uma ferramenta útil para o autoexame e identificação de lesões suspeitas de melanoma:
O melanoma pode ser classificado em diferentes subtipos clínicos, com comportamentos distintos:
O melanoma extensivo superficial é o subtipo mais comum (cerca de 70% dos casos). Cresce horizontalmente antes de invadir camadas mais profundas da pele.
O melanoma nodular representa cerca de 15% dos casos e é mais agressivo. Cresce verticalmente desde o início, o que favorece a invasão precoce.
O melanoma lentigo maligno ocorre principalmente em áreas cronicamente expostas ao sol, como a face de idosos.
O melanoma acral lentiginoso é mais comum em pessoas de pele escura e acomete palmas das mãos, plantas dos pés e região subungueal.
O diagnóstico do melanoma é feito por biópsia excisional, seguida de análise histopatológica. A dermatoscopia, técnica não invasiva realizada com equipamento óptico de alta precisão, aumenta a acurácia diagnóstica. Segundo revisão da Cochrane (Lallas et al., PMID: 35274381), a dermatoscopia apresenta sensibilidade de 98,8% e especificidade de 91,2% para o diagnóstico de melanoma.
O estadiamento considera a espessura do tumor (índice de Breslow), presença de ulceração, envolvimento de linfonodos e metástases à distância.
Algumas lesões de pele não são câncer, mas apresentam risco de transformação maligna se não tratadas. Identificá-las e tratá-las precocemente é uma estratégia eficaz de prevenção.
A queratose actínica é a lesão pré-maligna mais comum. Manifesta-se como manchas ásperas, descamativas, de coloração avermelhada ou acastanhada, em áreas expostas ao sol. A taxa de progressão para carcinoma espinocelular varia de 0,1% a 10% por lesão ao ano, sendo maior em pacientes imunossuprimidos.
As opções de tratamento incluem crioterapia, terapia fotodinâmica (TFD), imiquimode tópico e curetagem. A escolha depende do número de lesões, localização e preferência do paciente.
A doença de Bowen é um carcinoma espinocelular in situ, ou seja, restrito à epiderme. Apresenta-se como uma placa eritematosa bem delimitada e pode evoluir para CEC invasivo.
O nevo displásico (ou nevo atípico) é uma pinta com características clínicas atípicas, como bordas irregulares e coloração variada. Pessoas com múltiplos nevos displásicos têm risco aumentado de desenvolver melanoma.
O xeroderma pigmentoso é uma doença genética rara que compromete a capacidade de reparo do DNA danificado pela radiação UV. Pacientes com essa condição têm risco extremamente elevado de desenvolver cânceres de pele.
O tratamento do câncer de pele varia conforme o tipo, tamanho, localização e estadiamento do tumor. As principais opções incluem:
A excisão cirúrgica convencional remove o tumor com margens de segurança. É indicada para a maioria dos carcinomas de baixo risco.
A cirurgia micrográfica de Mohs é o padrão-ouro para tumores em áreas de alto risco ou com padrões histológicos agressivos. Permite a análise de 100% das margens durante o procedimento, garantindo a remoção completa do tumor com máxima preservação de tecido saudável.
Para melanomas avançados, as opções incluem imunoterapia (como pembrolizumabe e nivolumabe) e terapias-alvo (como inibidores de BRAF e MEK). O tratamento é individualizado conforme o perfil molecular do tumor.
Para conhecer em detalhes os procedimentos diagnósticos e terapêuticos, acesse procedimentos dermatológicos para câncer de pele.
A prevenção do câncer de pele envolve proteção solar diária (uso de filtro solar FPS 30 ou superior, roupas adequadas e evitar exposição nos horários de maior radiação UV) e acompanhamento dermatológico regular.
O mapeamento corporal de nevos com dermatoscopia digital é recomendado para pessoas com múltiplas pintas, histórico pessoal ou familiar de melanoma ou pele muito clara (fototipos I e II). A periodicidade ideal varia conforme o perfil de risco do paciente.
Qual é o tipo mais perigoso de câncer de pele?
O melanoma é o tipo mais agressivo. Representa cerca de 4% dos casos, mas é responsável pela maior parte das mortes por câncer de pele. A taxa de sobrevida em cinco anos cai de 99% no estágio I para aproximadamente 35% em casos com metástase.
O carcinoma basocelular pode virar metástase?
É extremamente raro. O CBC tem comportamento localmente invasivo, mas raramente metastatiza (menos de 0,1% dos casos). Porém, se não tratado, pode causar destruição significativa dos tecidos adjacentes.
Queratose actínica sempre vira câncer?
Não. A taxa de progressão para carcinoma espinocelular é de 0,1% a 10% por lesão ao ano. O tratamento precoce elimina esse risco.
Como saber se uma pinta é perigosa?
Aplique a regra ABCDE: assimetria, bordas irregulares, cor heterogênea, diâmetro maior que 6 mm e evolução (mudanças recentes). Lesões com uma ou mais dessas características devem ser avaliadas por um dermatologista.
Câncer de pele tem cura?
Na maioria dos casos, sim. O carcinoma basocelular tem taxa de cura superior a 99% quando tratado precocemente. O melanoma em estágio I também apresenta sobrevida de 99% em cinco anos. O diagnóstico precoce é o principal fator para o bom prognóstico.
Com que frequência devo fazer o mapeamento de nevos?
Depende do seu perfil de risco. Para pessoas com pele clara, múltiplas pintas ou histórico familiar de melanoma, recomenda-se avaliação anual. Pacientes de alto risco podem necessitar de acompanhamento semestral.