Como é feita a cirurgia de Mohs: etapas, procedimento e o que esperar no dia

O que acontece durante a cirurgia de Mohs envolve cinco etapas sequenciais: exérese da camada tumoral, mapeamento espacial do tecido, processamento histológico, análise microscópica das margens e nova exérese se necessário. O procedimento é ambulatorial, realizado sob anestesia local, com duração média de 3 a 5 horas e reconstrução na mesma sessão ou em segundo tempo.

O que acontece antes da cirurgia de Mohs: preparo e orientações

O preparo para a cirurgia de Mohs começa com a consulta de avaliação, na qual o especialista confirma a indicação do procedimento com base no laudo histopatológico da biópsia prévia, na localização do tumor e nos critérios clínicos do paciente. Sem biópsia com resultado confirmado, a cirurgia não é agendada.

As orientações pré-operatórias incluem a suspensão de anticoagulantes, quando clinicamente possível e após alinhamento com o médico responsável pela prescrição, e o uso de roupas confortáveis no dia do procedimento. O paciente deve estar em jejum apenas se houver possibilidade de sedação endovenosa, indicada em casos específicos.

No dia da cirurgia, o paciente chega ao ambulatório, passa por uma revisão da lesão, recebe informações sobre cada etapa e assina o termo de consentimento informado. Recomenda-se levar acompanhante, pois o procedimento pode durar várias horas e envolve períodos de espera entre os ciclos de análise histológica.

Anestesia e início do procedimento

A cirurgia de Mohs é realizada sob anestesia local em praticamente todos os casos. O anestésico, geralmente lidocaína com epinefrina, é infiltrado na região do tumor e arredores, promovendo insensibilidade completa da área cirúrgica. A aplicação do anestésico é o momento de maior desconforto de todo o procedimento.

Em casos selecionados, principalmente em pacientes com ansiedade acentuada ou quando o procedimento envolve áreas de difícil acesso, pode ser considerada sedação endovenosa leve como complemento à anestesia local. Essa decisão é feita caso a caso, em conjunto com o paciente.

Uma característica que diferencia esse procedimento de cirurgias sob anestesia geral: o paciente permanece acordado e pode conversar normalmente durante os ciclos de exérese e nos períodos de espera entre as análises. Muitos descrevem a experiência como menos agressiva do que imaginavam antes do procedimento.

As etapas da cirurgia de Mohs: da exérese à análise histológica

O procedimento segue uma sequência técnica precisa, descrita por Tchanque-Fossuo e Dahle (StatPearls, 2024) e consolidada nas revisões de Bittner et al. (An Bras Dermatol, 2021). Cada ciclo começa com a remoção de uma camada fina de tecido ao redor e abaixo do tumor visível, seguida de mapeamento espacial detalhado.

O tecido removido é processado em cortes horizontais, que permitem visualizar toda a superfície inferior e as bordas laterais da amostra. As lâminas são preparadas e coradas para análise ao microscópio. O cirurgião examina cada lâmina correlacionando com o mapa espacial, identificando exatamente onde, se houver, ainda há células tumorais.

Se as margens estiverem livres, o procedimento avança para a reconstrução. Se houver comprometimento em algum ponto específico, apenas aquela área é reexcisada no ciclo seguinte. Essa seletividade é o que preserva o máximo de tecido saudável.

Quanto tempo cada etapa leva

FaseDescriçãoTempo estimado
Preparo e anestesiaDemarcação do tumor, infiltração anestésica15–20 min
Exérese da camadaRemoção cirúrgica da camada de tecido15–30 min
Mapeamento e processamentoOrientação espacial, corte e coloração das lâminas30–45 min
Análise microscópicaLeitura das lâminas pelo cirurgião15–30 min
Ciclos adicionais (se necessário)Nova exérese da área comprometida45–60 min por ciclo
ReconstruçãoFechamento primário, retalho ou enxerto30–90 min

A duração total do procedimento é em média de 3 a 5 horas, variando conforme o número de ciclos necessários para atingir margens livres. Tumores com extensão subclínica maior podem exigir mais ciclos, aumentando o tempo de análise histológica. O paciente aguarda em área de repouso entre os ciclos.

O que acontece quando as margens estão comprometidas

Quando a análise microscópica identifica células tumorais em algum ponto da margem, o cirurgião localiza essa área no mapa espacial e realiza uma nova exérese seletiva, restrita exatamente àquela região. Apenas o tecido comprometido é removido, sem ampliar desnecessariamente o defeito cirúrgico.

Esse ciclo se repete quantas vezes for necessário até que todas as margens estejam microscopicamente livres. A grande maioria dos casos é resolvida em 2 a 3 ciclos. Tumores com extensão subclínica mais ampla ou subtipos histológicos agressivos podem exigir mais etapas.

O critério de encerramento é objetivo: margens livres confirmadas microscopicamente em toda a extensão do tecido removido. Esse ponto de parada baseado em evidência histológica, e não em estimativa clínica, é o que distingue a técnica de Mohs de qualquer outra abordagem cirúrgica para câncer de pele.

Reconstrução após a cirurgia de Mohs

Com as margens confirmadas como livres, inicia-se a fase de reconstrução. O cirurgião avalia o defeito final, considera a localização anatômica, a elasticidade local da pele e as estruturas adjacentes, e escolhe a técnica reconstrutiva mais adequada.

As opções incluem fechamento primário (sutura direta das bordas), retalho cutâneo local (rotação ou transposição de pele adjacente) ou enxerto de pele (tecido obtido de outra região do corpo). A escolha depende do tamanho e localização do defeito, sempre priorizando o resultado funcional e estético.

Na maioria dos casos, a reconstrução é realizada na mesma sessão, no mesmo dia. Em defeitos complexos ou quando a decisão reconstrutiva exige planejamento adicional, pode ser agendada para um segundo tempo, geralmente nos dias seguintes. Mais informações sobre as opções em procedimentos cirúrgicos dermatológicos.

Pós-operatório: primeiros dias e cuidados necessários

Nos primeiros 5 dias após a cirurgia, o principal cuidado é manter o curativo seco e limpo, conforme as orientações específicas do cirurgião. A troca do curativo segue o protocolo indicado na consulta pós-operatória, que ocorre geralmente entre 48 e 72 horas após o procedimento.

A retirada dos pontos ocorre entre 7 e 14 dias, dependendo da localização e da técnica de fechamento utilizada. Atividades físicas de baixa intensidade, como caminhada leve, podem ser retomadas em 24 a 48 horas. Esforço físico intenso e atividades que elevam a pressão arterial devem ser evitados por 2 a 3 semanas.

A proteção solar da cicatriz deve ser mantida por 6 meses, com uso de protetor solar FPS 50 ou maior e, quando possível, cobertura física com curativo ou roupas adequadas. A cicatriz atinge sua aparência final entre 12 e 18 meses após o procedimento. Para agendar avaliação: entre em contato ou acesse teleconsulta.

Por que escolher o Dr. Timótio Dorn

O Dr. Timótio Dorn (CRM/SC 22594 | RQE 13225) possui certificação pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para atuação em Cirurgia Micrográfica de Mohs e dedica-se intensivamente à técnica desde 2018. 

Realizou mais de um ano de treinamento exclusivo e intensivo em cirurgia de Mohs e, desde então, já realizou e coordenou mais de 2 mil procedimentos. Atua também na formação de novos cirurgiões de Mohs como coordenador do fellowship da área no Hospital Santa Teresa, em Florianópolis, hospital de referência em dermatologia pública em Santa Catarina.

O atendimento é presencial em Florianópolis (Ed. Goeldner Executive, R. Ferreira Lima, 238, 3º andar) e Rio do Sul (R. Euclídes da Cunha, 87, Eugênio Schneider), com teleconsulta nacional disponível para avaliação inicial. Para esclarecer dúvidas sobre o procedimento: entre em contato ou acesse cirurgia micrográfica de Mohs. CRM/SC 22594 | RQE 13225 | drtimotiodorn.com.br | @drtimotiodorn.

Perguntas frequentes sobre como é feita a cirurgia de Mohs

Quantas horas dura a cirurgia de Mohs?

A duração média é de 3 a 5 horas. Esse tempo varia conforme o número de ciclos necessários para atingir margens livres. Cada ciclo adicional inclui nova exérese e análise histológica, o que pode levar de 45 a 60 minutos. Tumores maiores ou com extensão subclínica ampla tendem a exigir mais ciclos.

A cirurgia de Mohs é feita com anestesia geral?

Não, na maioria dos casos. O procedimento é realizado sob anestesia local, o que elimina os riscos associados à anestesia geral e permite que o paciente retorne para casa no mesmo dia. Em casos específicos, pode ser considerada sedação endovenosa leve como complemento, sempre avaliada individualmente.

O que o paciente faz durante os períodos de espera entre os ciclos?

Entre um ciclo e outro, o paciente aguarda em área de repouso no próprio ambulatório, com o curativo temporário cobrindo o defeito cirúrgico. Esse intervalo é usado para o processamento e análise das lâminas. Recomenda-se levar acompanhante e algo para ler ou ouvir durante essa espera.

A reconstrução é feita no mesmo dia da cirurgia?

Na maioria dos casos, sim. A fase de reconstrução, que pode incluir fechamento primário, retalho cutâneo ou enxerto de pele, ocorre na mesma sessão após a confirmação de margens livres. Em defeitos complexos que exigem planejamento reconstrutivo adicional, a reconstrução pode ser agendada para um segundo tempo.

Quando posso voltar ao trabalho após a cirurgia de Mohs?

Atividades de baixa demanda física podem ser retomadas em 24 a 48 horas. Trabalho em ambiente de escritório, por exemplo, geralmente é possível no dia seguinte. Esforço físico intenso, agachamentos e atividades que elevam a pressão arterial devem ser evitados por 2 a 3 semanas.

A cicatriz após a cirurgia de Mohs some com o tempo?

A cicatriz não desaparece completamente, mas amadurece e clareia ao longo dos meses. A aparência final é atingida entre 12 e 18 meses após o procedimento. A proteção solar rigorosa por 6 meses após a cirurgia é o fator mais importante para reduzir a pigmentação e otimizar o resultado estético final. —

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